Testes AD5 do EPSO divididos em duas partes: o que mudou e como preparar-se
A 30 de junho de 2026, o EPSO anunciou que o concurso AD/427/26 para Administradores Recém-Licenciados deixa de avaliar os candidatos numa única sessão. Os testes de raciocínio passam para outubro–novembro de 2026; os conhecimentos sobre a UE, as competências digitais e o ensaio EUFTE passam para o início de 2027. Aqui fica a análise completa, o que isto significa para os 174.922 candidatos inscritos e como adaptar a sua preparação.
1. O que mudou exatamente a 30 de junho de 2026?
Até 30 de junho de 2026, o concurso AD5 estava previsto como um único dia de testes, em que cada candidato faria raciocínio, conhecimentos sobre a UE, competências digitais e o ensaio EUFTE uns a seguir aos outros. O EPSO passa agora a dividir o processo em duas fases independentes, separadas por cerca de três a quatro meses.
A justificação oficial do EPSO é curta — «para assegurar a boa organização do concurso AD5 em curso» — mas a razão operacional lê-se facilmente nas entrelinhas: com 174.922 candidatos inscritos, montar uma sessão completa no mesmo dia em dezenas de centros de exame por toda a Europa era logisticamente impossível. Dividir permite ao EPSO filtrar primeiro pelo raciocínio e depois dimensionar a segunda fase ao número que sobreviver às notas mínimas.
2. Parte 1 — testes de raciocínio (outubro–novembro de 2026)
Os três testes cognitivos realizam-se no mesmo dia para cada candidato, mas os candidatos estão distribuídos por muitas datas dentro da janela de outubro–novembro. As cartas de convocatória individuais chegam com várias semanas de antecedência, com a data, a hora e o centro exatos.
As notas mínimas que tem de atingir
Limiar independente. É também a pontuação que determina a sua ordenação nesta fase.
Passa/chumba em conjunto. Um numérico fraco pode ser compensado por um abstrato forte (e vice-versa). Pontuação conjunta acima de 10/20 = aprovado, mas não melhora a ordenação.
Esta é uma conclusão decisiva sobre a pontuação: o verbal é ao mesmo tempo um limiar e um critério de ordenação; o numérico e o abstrato são apenas um limiar. Se tem pouco tempo de estudo até outubro, dê prioridade ao verbal.
3. Parte 2 — testes de conhecimentos (início de 2027)
Só os candidatos que atingirem ambos os limiares da Parte 1 são convocados para a Parte 2. As datas exatas serão publicadas mais tarde no EU Careers; conte com janeiro–março de 2027, com base no historial do EPSO.
A Parte 2 abrange:
- Teste de conhecimentos sobre a UE — tratados, instituições, políticas, atualidade. Passa a ser o principal critério de ordenação depois da filtragem da Parte 1.
- Teste de competências digitais — cenários alinhados com o DigComp (literacia de informação e dados, comunicação, conteúdos, segurança, resolução de problemas).
- EUFTE — ensaio de texto livre sobre assuntos da UE — redação de 40 minutos, avaliada segundo a grelha do EPSO.
4. A escala contra a qual está a competir
O EPSO/AD/427/26 atraiu 174.922 candidatos para aproximadamente 1.490 lugares na lista de reserva. Isso dá uma taxa de passagem base de cerca de 0.85%. Dividir o exame não altera o número de lugares na lista de reserva, mas altera a rapidez com que as coortes se afunilam.
5. Em que é que isto o ajuda — ou o prejudica
✅ Em que ajuda
- Preparação focada. Pode dedicar julho–setembro inteiramente ao raciocínio, sem repartir a atenção por quatro áreas de competência.
- Duas hipóteses de recuperar. Um numérico fraco ainda pode ser compensado pelo abstrato dentro de uma única pontuação conjunta.
- Tempo para reconstruir os conhecimentos sobre a UE. Se passar a Parte 1, ganha mais 2 a 3 meses de revisão de políticas — que é onde os candidatos AD5 costumam perder mais pontos.
- Menos stress no próprio dia. Seis testes longos numa só sessão era brutal do ponto de vista cognitivo; três testes de raciocínio focados são mais geríveis.
❌ Em que prejudica
- Não há rede de segurança na Parte 1. Falhe o verbal ≥10/20 ou o conjunto N+A ≥10/20 e está eliminado — por muito forte que fosse em conhecimentos sobre a UE ou no EUFTE.
- Mais tempo de espera. A lista de reserva escorrega de finais de 2026 para finais de 2027. Some-lhe até mais um ano antes do recrutamento.
- Não pode remarcar. Uma marcação de um só dia entre outubro e novembro de 2026 que não pode mudar para outra data. Se a vida acontecer, perde o ano.
- O verbal pesa mais. A mudança concentra o poder de ordenação no raciocínio verbal e nos conhecimentos sobre a UE. Fraco em qualquer um deles → muito difícil ficar nos primeiros 1,490.
6. Estratégia de preparação — um plano de estudo que consegue mesmo cumprir
De agora (julho de 2026) até à Parte 1 (outubro de 2026)
- Semanas 1–4 (julho): diagnóstico + verbal primeiro. Faça um conjunto verbal completo de 20 questões para identificar o seu nível atual. Trabalhe os padrões de armadilha mais frequentes: quantificador universal em excesso, inversão de sentido, facto externo plausível, confusão temporal. Nos conjuntos 1–2 da EU Testing já tem 40 questões verbais para se calibrar.
- Semanas 5–9 (agosto): mergulho no verbal + mecânica do numérico. Verbal diariamente (10 questões no mínimo); numérico dia sim, dia não, com foco em percentagens, rácios, números-índice e velocidade de leitura de tabelas. O tempo é decisivo — abaixo de 90 segundos por questão numérica.
- Semanas 10–13 (setembro): padrões abstratos + simulações completas. O abstrato é o que mais beneficia da prática de reconhecimento de padrões; dedique 30 minutos diários a padrões variados (rotação, reflexão, séries, matriz). Termine cada semana com uma passagem completa e cronometrada dos testes de raciocínio no Simulador de Exame.
- Última semana antes da sua marcação: desaceleração. Nada de matéria nova nas 48 horas anteriores. Durma, hidrate-se e releia os seus apontamentos sobre padrões de armadilha.
Entre a Parte 1 (novembro de 2026) e a Parte 2 (início de 2027)
- Não espere pelos resultados. Comece a revisão de conhecimentos sobre a UE no dia seguinte à Parte 1. Os resultados demoram semanas; cada dia conta.
- Conhecimentos sobre a UE: a bíblia primeiro. Cubra tratados, instituições, processo legislativo ordinário e Semestre Europeu antes de mergulhar na atualidade.
- Competências digitais = DigComp 2.2. Concentre-se nas cinco áreas de competência do DigComp e nos respetivos níveis de proficiência. Os cenários práticos são frequentes.
- EUFTE = praticar a escrita. O ensaio tem 40 minutos. Aponte a um ensaio completo por semana a partir de novembro, autoavaliado pela grelha ou por correção automática.
7. Perguntas frequentes
Posso recorrer para remarcar a minha marcação da Parte 1?
Não. O EPSO afirmou explicitamente que não é possível remarcar. As exceções por motivo de força maior são tratadas caso a caso, mas não devem ser tomadas como garantidas.
As questões da Parte 1 são as mesmas dos anos anteriores?
O formato (três testes de raciocínio, cronometrados, de escolha múltipla) e os limiares mantêm-se inalterados face aos concursos AD5 anteriores. A dificuldade dos itens é calibrada pelo EPSO para normalizar a taxa de aprovação de cada ano.
O que acontece se eu passar a Parte 1 mas chumbar na Parte 2?
Fica eliminado do EPSO/AD/427/26. Pode candidatar-se a concursos futuros (o AD5 abre aproximadamente uma vez por ano).
O prazo dos meus documentos comprovativos muda?
Não. Os documentos comprovativos (diploma, declarações de línguas) continuam a ter de ser entregues até 7 de outubro de 2026, 12h00, hora de Bruxelas — antes de começar a Parte 1.
A minha pontuação da Parte 1 transita para a Parte 2?
Apenas como sinal de aprovação para prosseguir. A sua pontuação no verbal da Parte 1 conta para a ordenação global depois de concluída a Parte 2, juntamente com a sua pontuação em conhecimentos sobre a UE.
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